O núcleo distrital do Porto do LIVRE divulgou esta semana um comunicado a pedir uma recuperação “responsável e exigente” do rio Leça, tornando-se o quarto partido a manifestar-se publicamente, em poucas semanas, sobre a poluição do rio e o estado da rede de monitorização instalada ao longo do seu curso, que atravessa também o concelho de Valongo.

O comunicado surge depois de uma reportagem da NOW, emitida a 17 de agosto, ter voltado a levantar dúvidas sobre a poluição do Leça e sobre o funcionamento dos equipamentos que deveriam monitorizar a qualidade da água. O LIVRE pede aos municípios da bacia, ao Ministério do Ambiente e Energia e à Agência Portuguesa do Ambiente que acelerem os planos de recuperação já definidos para o rio, reforcem as infraestruturas de saneamento básico, garantam o cumprimento da lei nos casos de descargas ilegais e renovem equipamentos críticos, como estações de tratamento de águas residuais. O partido pede ainda que sejam divulgados resultados mensuráveis sobre a qualidade da água e a recuperação de espécies, e defende a criação de programas de ciência cidadã junto das populações ribeirinhas.

A tomada de posição do LIVRE junta-se às do PSD, que a 16 de agosto propôs a criação de um portal de transparência com informação sobre orçamentos, contratos e fundos europeus aplicados na recuperação do rio, e defendeu separar a decisão política da execução técnica dos projetos; da Iniciativa Liberal, que já tinha pedido fiscalização pública da recuperação do Leça numa nota anterior enviada ao Valongo Online, e voltou a insistir em sensores de monitorização a funcionar e metas ambientais divulgadas por troço do rio; e do PCP, que criticou o executivo por depender de fundos europeus do programa Norte 2030 em vez de reforçar o investimento com verbas do Orçamento do Estado, numa resposta a uma pergunta parlamentar do deputado Alfredo Maia.

O rio Leça, um dos mais poluídos da Europa há poucas décadas, tem hoje um projeto de recuperação a cargo da Associação de Municípios Corredor do Rio Leça, criada em 2021 e que junta Valongo a Maia, Matosinhos e Santo Tirso. Está prevista uma candidatura de cerca de 81 milhões de euros para intervenções entre 2027 e 2034, ainda em consulta pública. Até ao momento, nem o Ministério do Ambiente e Energia nem a Agência Portuguesa do Ambiente responderam publicamente aos pedidos feitos pelos quatro partidos.

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