Os utentes da Unidade de Saúde Familiar (USF) Valongo vão poder sair de uma consulta com uma receita diferente: em vez de um medicamento, uma atividade física, cultural ou de convívio disponível no concelho. O projeto-piloto de Prescrição Comunitária da ULS São João arranca a 1 de outubro e a USF Valongo é uma das três unidades escolhidas para o testar.

A iniciativa foi desenvolvida pela ULS São João em conjunto com os municípios de Valongo, Maia e Porto. Além da USF Valongo, participam nesta primeira fase a USF Barão Nova Sintra e a USF Alto da Maia. Os protocolos entre a ULS e as três câmaras são assinados na quinta-feira, 24 de setembro, às 12h00, numa sessão na ULS São João, onde o Município de Valongo, que integra o projeto desde o início, estará representado pelo presidente da Câmara, Paulo Esteves Ferreira.

Na prática, o médico de família poderá prescrever ao utente uma categoria de atividades ajustada às suas necessidades. Nesta fase inicial, as áreas abrangidas são a atividade física, a alimentação saudável, a cultura, o combate ao isolamento social, a prevenção do declínio cognitivo, a saúde mental e a integração na comunidade. A oferta concreta é definida em conjunto com um agente local de cada município, que faz a ligação entre a unidade de saúde e os recursos existentes no território.

O que distingue este modelo de outras experiências semelhantes é o registo. A prescrição é feita numa plataforma informática integrada no processo clínico do utente, com a mesma estrutura de uma receita ou de um pedido de exames. Fica registado o que foi prescrito e com que objetivo, o que permite acompanhar o cumprimento, ajustar a indicação quando for preciso e avaliar mais tarde o efeito na saúde de cada pessoa.

“A Prescrição Comunitária parte de uma visão integrada da saúde, reconhecendo que a promoção do bem-estar e a prevenção da doença ultrapassam os limites dos serviços de saúde e podem beneficiar da mobilização de recursos existentes na comunidade”, afirma Maria João Baptista, presidente do Conselho de Administração da ULS São João, em nota de imprensa.

O projeto destina-se a utentes com mais de 18 anos cujas doenças estejam estabilizadas e para quem uma intervenção na comunidade possa complementar o acompanhamento clínico. Não substitui o tratamento médico: é uma resposta adicional, com responsabilidades partilhadas entre os serviços de saúde, a comunidade e o próprio utente.

A nota da ULS São João não indica prazos para alargar o projeto a outras unidades de saúde do concelho de Valongo.

Foto: USF Santa Justa

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