A Junta de Freguesia de Campo dedicou esta semana uma publicação nas redes sociais à história da ardósia, a rocha que deu à freguesia parte da sua identidade e que continua associada à memória de várias gerações de famílias locais. A iniciativa recorda que a formação geológica que deu origem à ardósia de Campo remonta a cerca de 350 milhões de anos, um processo que deixou no subsolo da freguesia uma das jazidas mais conhecidas da região.
Foi já em meados do século XIX que a extração da pedra se transformou em atividade económica organizada, dando origem a um ofício que se foi transmitindo de geração em geração dentro das famílias ligadas às pedreiras. Gerações de homens de Campo cresceram a aprender o corte e o lavramento da ardósia a observar pais e avós, um saber que juntava força física a uma técnica apurada ao longo de décadas de trabalho manual, muitas vezes em condições duras.
Uma das marcas mais conhecidas deste território, além-fronteiras da própria freguesia, esteve precisamente ligada a um objeto do quotidiano escolar: as lousas de ardósia, usadas durante décadas nas escolas portuguesas para aprender a escrever antes da generalização do papel e do caderno. Parte dessas lousas teve origem nas pedreiras de Campo, o que liga diretamente a freguesia à alfabetização de várias gerações de portugueses, num contributo que raramente é lembrado fora do concelho.
Apesar de a atividade extrativa ter perdido hoje a dimensão de outros tempos, a ardósia continua presente na paisagem e na memória coletiva de Campo, com marcas visíveis nas antigas pedreiras espalhadas pela freguesia e em famílias que ainda hoje recordam o trabalho de pais e avós na pedra como parte da própria história pessoal.

